Black Friday foi só 23,5% do on-line de novembro, segundo a Neotrust Confi. Com o presente comprado antes, a troca de Natal pede outro prazo.
O presente de Natal deixou de ser uma compra de dezembro. Segundo a Neotrust Confi, os quatro dias da Black Friday de 2025 movimentaram R$ 11,03 bilhões, o equivalente a 23,5% dos R$ 46,98 bilhões vendidos on-line em novembro daquele ano. Mais de três quartos do faturamento do mês aconteceram, portanto, fora do fim de semana que dá nome à temporada. Para 2026, o relatório Da Compra à Confiança, também da Neotrust Confi, projeta R$ 56,1 bilhões em novembro, valor que, segundo o próprio estudo, considera a expansão da Black Friday para além de um único dia e a antecipação das compras de Natal. Quem compra o presente em novembro só entrega o pacote em 25 de dezembro, e é nesse intervalo que a política de trocas da loja começa a falhar.
O que mudou no calendário de fim de ano?
O movimento aparece também no varejo como um todo. Um estudo do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, citado nesta semana em artigo do portal Mercado&Consumo, mostra que as vendas de dezembro superavam as de novembro em cerca de 41% em 2005. Em 2025 essa diferença caiu para 11,7%, e a projeção para 2026 é de 12%. O artigo descreve 11.11, Black Friday, Cyber Monday e Natal como uma temporada contínua, em que a família distribui o mesmo orçamento entre várias datas em vez de gastar mais. Para a operação, isso significa que parte dos pedidos de novembro já é presente, mesmo que ninguém tenha marcado a opção de embrulho no carrinho.
Por que o presente comprado em novembro é um problema de pós-venda?
Porque quem compra não é quem usa. Numa compra comum, o cliente recebe a caixa, experimenta o produto e descobre em poucos dias se acertou. No presente, o tênis comprado no dia 10 de novembro fica semanas guardado no armário, embrulhado, e a numeração errada só aparece quando a sobrinha calça o par na noite de Natal. O direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor é contado a partir do recebimento, e boa parte das políticas de troca segue a mesma lógica. Quando o prazo corre desde a entrega, ele vence com o produto ainda embrulhado. O relatório da Neotrust Confi lista presentes inadequados, tamanhos incorretos, arrependimentos e avarias entre os motivos que alimentam a segunda onda da logística reversa depois do pico de vendas.
Como a troca de presente difere de uma troca comum?
A pessoa que quer trocar não tem o número do pedido, não tem acesso à conta de quem comprou e, de preferência, não deveria ver quanto o produto custou. O reembolso tampouco resolve, porque o dinheiro volta para o cartão de quem deu o presente. O relatório Da Compra à Confiança descreve os três destinos de uma solicitação: a troca preserva a intenção original da compra, o crédito mantém o valor dentro da relação com a loja e o reembolso encerra a transação. No presente, os dois primeiros são os que atendem quem está com o produto na mão. Há ainda um ganho que costuma passar despercebido: o presenteado muitas vezes nunca comprou naquela loja, e a troca é o primeiro contato dele com a marca. Segundo a Neotrust Confi, 45,5% dos consumidores acompanhados no primeiro semestre de 2026 fizeram um único pedido, o que mostra quanto vale cada oportunidade de trazer alguém de volta.
O que isso muda na prática para a operação de pós-venda?
As vendas se espalharam por novembro, mas os presentes são abertos no mesmo dia, e as trocas tendem a chegar concentradas na virada do ano. Quatro ajustes ainda cabem antes do pico:
- Definir um prazo de troca estendido para as compras de novembro e dezembro, com data final fixa em janeiro, informada na página do produto e no e-mail de confirmação.
- Criar um caminho de troca para o presenteado, com um código ou link que não mostre o preço nem exija o login de quem comprou.
- Oferecer primeiro a troca por outro tamanho ou cor e o crédito em nome de quem recebeu o presente, mantendo o reembolso disponível para o comprador.
- Dimensionar atendimento, coleta e recebimento para a virada do ano, e não apenas para a semana seguinte à Black Friday.
Uma plataforma de pós-venda como a Aftersale aplica esse tipo de regra por período e por motivo, sem depender de exceção aberta manualmente pelo atendimento. O ponto central, porém, independe de ferramenta: se o calendário de vendas mudou, o calendário de trocas precisa mudar junto.
Fontes
- Neotrust Confi: Da Compra à Confiança: Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026, 2026-08-14 (pt)
- Blog Confi: Black Friday 2026 deve faturar R$ 13,3 bilhões, projeta a Neotrust, 2026-10-16 (pt)
- Mercado&Consumo: Dezembro perdeu a exclusividade do fim de ano. O shopping já percebeu?, 2026-11-05 (pt)
- Central do Varejo: Natal 2026 e as projeções de vendas do varejo brasileiro, 2026-10-30 (pt)
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