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Pix chega a 55,2% das transações e o MDR do crédito cai para 2,11%

E-commerce4 min de leitura

O Banco Central mostra Pix com 55,2% das transações no semestre e MDR do crédito em 2,11%. Veja o que muda no checkout e na margem.

Pessoa finalizando uma compra pelo celular, com o aplicativo de pagamento aberto na tela

Quem vende online costuma olhar para o meio de pagamento do mesmo jeito que o motorista olha o painel do carro: só repara quando acende alguma luz. Os dados do primeiro semestre de 2026 que o Banco Central divulgou esta semana funcionam como uma revisão completa, e vale abrir o capô antes da Black Friday.

O que o Banco Central mostrou sobre o Pix?

Nas Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões, o Banco Central contou 79,7 bilhões de transações no semestre, movimentando R$ 71,9 trilhões, alta de 12,3% em quantidade e de 20,8% em valor sobre o mesmo período de 2025. Dentro desse total, o Pix respondeu por 55,2% das transações, contra 50,9% um ano antes, com quase 44 bilhões de operações e crescimento de 19,4%. O valor médio por operação ficou em R$ 459, cerca de 7% acima do ano anterior.

Vale ler o número com cuidado: em valor, o Pix tem 28,1% do total e fica atrás da TED, que concentra 32,7%. O Pix domina o dia a dia, a TED ainda domina o grande valor. Também é bom lembrar que o recorte do Banco Central cobre todos os pagamentos do país, e não apenas as compras online.

E o cartão de crédito, perdeu espaço?

Não perdeu, mudou de papel. Os cartões somaram 24,5 bilhões de transações, 30,8% do total, e o crédito cresceu 9,2% em quantidade e 13,8% em valor, com gasto médio de R$ 135 por compra, alta de 4,2%. O débito andou de lado, com +0,5% em quantidade e gasto médio de R$ 58, queda de 2%.

O dado mais útil para o e-commerce está no segundo trimestre: compras pela internet representaram 22% das transações de crédito e 28,1% do valor. Ou seja, a compra online pesa mais no crédito em reais do que em número de passagens, o que combina com um ticket maior do que o da padaria.

Parcelar ainda importa?

Importa bastante, e o número engana quem olha só a quantidade. No segundo trimestre, 88,1% das compras no crédito foram à vista, mas em valor as compras à vista foram 52,5%. As parcelas em sete vezes ou mais, que são só 1,5% das transações, carregam 16,4% do valor. É a velha lógica do ingresso de show: poucos compradores pagam o lugar mais caro, mas eles fazem diferença na bilheteria.

O que aconteceu com as taxas?

O MDR, a taxa que o lojista paga na venda, caiu no crédito de 2,24% no primeiro semestre de 2025 para 2,11% em 2026, e no débito de 1,08% para 1,06%. Na outra ponta, a remuneração dos bancos emissores (a tarifa de intercâmbio) no crédito subiu para 1,7%, ante 1,66% em 2025, o que o Banco Central associa em parte ao avanço dos cartões premium, hoje 80,9 milhões, contra 60,4 milhões um ano antes.

Indicador (1º sem. 2026)Valor
Pix, participação nas transações55,2%
Pix, participação no valor28,1%
MDR do crédito2,11%
MDR do débito1,06%
Crédito com 7 parcelas ou mais, parcela do valor (2º tri)16,4%
Pix Automático (2º tri)9,5 milhões de transações, R$ 3,5 bilhões

O Pix Automático, voltado a cobranças recorrentes, mais que dobrou em quantidade de um trimestre para o outro: eram 4 milhões de transações e R$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre. Quem vende assinatura ou reposição periódica deveria prestar atenção nesse movimento.

O que isso muda na prática

A primeira decisão é de checkout: se mais da metade das transações do país já passa pelo Pix, o pagamento por Pix precisa estar na primeira tela e com a experiência mais curta possível, inclusive no celular. A segunda é de margem: com o MDR do crédito em queda, vale rodar a conta de quanto custa cada meio de pagamento por pedido, e não só pelo percentual de tabela. A terceira é de campanha: para as semanas de Black Friday, é razoável testar um desconto no Pix contra parcelamento longo, observando qual dos dois traz o pedido de maior valor.

A leitura da Neotrust

Segundo a Neotrust, o ticket médio do e-commerce caiu 13,3% no primeiro semestre de 2026, para R$ 275,50, enquanto os pedidos cresceram 34,8%. Com mais pedidos de valor menor, o peso do meio de pagamento na margem aumenta. Na segunda-feira, o gestor deve cruzar o custo de cada meio de pagamento com o ticket do próprio mix e definir, antes da Black Friday, qual faixa de preço terá desconto no Pix e qual terá parcelamento. A plataforma da Neotrust permite abrir ticket e itens por pedido por categoria, para comparar com o seu negócio.

Por que isso importa

O meio de pagamento define custo, conversão e ticket, e o Pix já é maioria das transações do país. Rever checkout e margem agora evita decidir no meio da Black Friday.

Fontes

Banco Central (Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões, 1º semestre de 2026) via E-Commerce Brasil e TI Inside; Neotrust (indicadores de ticket médio e pedidos, jan a jun de 2026)

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