
O número que o faturamento não mostra
Quando um pedido volta, a receita já foi reconhecida, mas a margem ainda não está garantida. Benchmarks reunidos pela Aftersale, plataforma de pós-venda do ecossistema Confi, indicam que o processamento completo de uma devolução pode consumir de 20% a 65% do valor do item, dependendo da categoria e da estrutura da operação. A conta inclui transporte reverso, inspeção, reembalagem, reembolso e a depreciação do produto.
O dado aparece no estudo Da Compra à Confiança, de 29 de julho de 2026, e é uma referência de mercado, não a taxa de uma operação específica.
Nem toda categoria devolve igual
As faixas de referência de taxa de devolução reunidas pela Aftersale, com apoio de Ebit|Nielsen e dados operacionais de mercado entre 2024 e 2026, vão de 1% a 2% em livros e papelaria até 16% a 20% no topo da tabela, onde moda e calçados convivem com tamanho, caimento e cor. Eletrônicos, móveis e itens de pet aparecem em faixas intermediárias e baixas. O estudo é claro em um ponto: uma média única de mercado esconde diferenças operacionais profundas, e o benchmark serve para descobrir onde investigar, não para presumir a taxa de cada loja.
Por que a conta pesa mais agora
Os dados de compra da Neotrust para o primeiro semestre de 2026 mostram pedidos 34,8% maiores e ticket médio de R$ 275,50, queda de 13,3%, com 1,97 item por pedido. O preço médio por produto é de R$ 140,10.
Como exercício de ilustração, e sem tratar como dado medido: sobre um item de R$ 140,10, uma devolução que consome de 20% a 65% do valor representa entre cerca de R$ 28 e R$ 91 de custo. Quanto menor o pedido, mais esse custo relativamente fixo pesa na margem da transação. As bases da Neotrust e da Aftersale não foram cruzadas estatisticamente no estudo. A relação entre cesta menor e custo de devolução é uma implicação de negócio, e não uma causalidade comprovada.
A Aftersale informa mais de 6 milhões de trocas e devoluções transacionadas, mais de 400 clientes e mais de 40 sistemas integrados, o que sustenta a leitura operacional do pós-compra.
O que isso muda na prática
O estudo recomenda incluir trocas, devoluções e atendimento no planejamento do pico, e não tratá-los como consequência. Três movimentos decorrem disso.
Primeiro, meça a taxa de devolução por SKU, motivo, canal e fornecedor, e não pela média da loja. É a abertura que mostra onde está a perda.
Segundo, ofereça caminhos claros entre troca, crédito e reembolso. Uma troca resolvida sem atrito mantém o cliente na loja, enquanto um reembolso travado o leva embora.
Terceiro, calcule quanto valor cada retorno recupera. Uma devolução em bom estado que volta ao estoque vendável e é revendida tem custo muito diferente de uma que vira perda total.
Para a Black Friday e o Natal, o pico de devoluções chega em dezembro e janeiro, quando as vendas de novembro retornam. Preparar a reversa em outubro custa menos do que improvisá-la em janeiro.
A leitura da Neotrust
A Neotrust mostra o que o Brasil comprou, por categoria e faixa de ticket, e a Aftersale mostra o que acontece depois da compra. Lidos juntos, os dois ajudam a priorizar: em quais categorias e faixas de preço vale reforçar a operação de pós-venda antes do pico.
Por que isso importa
Faturamento e valor capturado não são a mesma coisa: o pós-compra pode retirar margem dias depois de a receita ter sido reconhecida, e o ticket menor amplifica o efeito.
Fontes
Aftersale, benchmarks de devolução com referências de Ebit|Nielsen e dados operacionais (2024 a 2026), publicados em Neotrust, Da Compra à Confiança: Panorama do e-commerce brasileiro 1S2026, 29/07/2026.
- Da Compra à Confiança: Panorama do e-commerce brasileiro 1S2026, capítulos 1 e 5Neotrust e Aftersalept
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