
Quem fecha o mês olhando o painel de vendas costuma se perguntar o mesmo que o dono de padaria diante da fila na porta: o movimento é mérito da casa ou é o bairro inteiro que está andando? Para responder, ajuda ter uma régua do varejo como um todo, e o fechamento do terceiro trimestre do Índice do Varejo Stone (IVS), divulgado em outubro, serve bem a esse papel.
O que o índice mostrou no terceiro trimestre
Segundo a Stone, o varejo brasileiro avançou 6,3% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025, e 1,6% sobre o segundo trimestre deste ano. No acumulado de janeiro a setembro, a alta é de 4,7%. O ritmo, porém, perdeu fôlego na ponta: setembro ficou 0,3% abaixo de agosto, ainda que 5,4% acima de setembro de 2025.
Quem puxou e quem ficou para trás
O Viva (Broadcast) detalhou os segmentos do trimestre contra o ano anterior. Sete dos oito acompanhados cresceram, e a única queda foi em vestuário e calçados.
| Segmento (3º tri 2026 vs. 3º tri 2025) | Variação |
|---|---|
| Combustíveis e lubrificantes | alta de 14,1% |
| Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo | alta de 10,4% |
| Artigos farmacêuticos | alta de 5,6% |
| Livros, jornais, revistas e papelaria | alta de 4,2% |
| Tecidos, vestuário e calçados | queda de 3,5% |
Em setembro, comparado a setembro do ano anterior, o InfoMoney registra que móveis e eletrodomésticos recuaram 0,5% e vestuário, calçados e tecidos caíram 4,4%. Ou seja, o que sobe é o que se compra toda semana, e o que cede é o que se compra com parcela.
Por que a recuperação é desigual
O economista da Stone Guilherme Freitas atribui o desenho à combinação de renda e crédito: a renda segue sustentando o consumo de itens do dia a dia, enquanto o crédito limita os setores que dependem de financiamento. Ele lembra ainda que a política monetária age com defasagem, de modo que o alívio sobre o consumo tende a chegar de forma gradual. Pense numa banda em turnê: o repertório de sucesso lota o estádio, mas o disco novo, que pede mais da plateia, ainda toca para casa meio vazia.
E o mapa do país?
Em setembro, 25 estados cresceram sobre o mesmo mês de 2025, com Roraima (19,6%), Acre (13,9%) e Amazonas (12,1%) à frente. Mato Grosso foi o único a recuar, 1,9%. Por região, o Norte avançou 10,2%, o Nordeste 6,1%, o Sul 4,4%, o Sudeste 3,9% e o Centro-Oeste 3,4%. São Paulo subiu 5,2%.
Como isso conversa com o e-commerce
O índice da Stone mede o varejo total em oito segmentos, com metodologia que a cobertura da imprensa não detalha, e por isso não se compara diretamente com o online. Mesmo assim, a leitura combina com o que a Neotrust apurou no primeiro semestre de 2026, a partir de transações em mais de 7.000 lojas monitoradas: pedidos de 756,7 milhões, alta de 34,8%, contra faturamento de R$ 208,4 bilhões, alta de 16,9%, e ticket médio de R$ 275,50, queda de 13,3%. Mais pedidos com cestas menores é um padrão compatível com um consumidor que compra com frequência, escolhe com cuidado e evita assumir parcelas longas.
O que isso muda na prática
Quem vende categorias sensíveis a crédito, como vestuário, calçados, móveis e eletrodomésticos, deve esperar uma Black Friday em que o desconto à vista e o preço de entrada pesam mais do que o parcelamento. Quem vende itens de reposição tem um terreno mais firme e pode apostar em recorrência. A segunda-feira de trabalho, portanto, começa na leitura do próprio mix: onde a procura está sustentada pela renda e onde depende de financiamento.
A leitura da Neotrust
Na segunda-feira, abra o faturamento da sua loja por categoria e separe o que é compra de reposição do que depende de crédito, porque o dado do varejo indica que são dois consumidores diferentes. A plataforma da Neotrust permite comparar categoria, ticket médio e itens por pedido do seu negócio com o mercado, e isso ajuda a decidir onde concentrar mídia e estoque antes da Black Friday, em vez de espalhar desconto em tudo.
Por que isso importa
O varejo cresce, mas de forma desigual, e quem entende de que lado do crédito está o seu mix decide melhor preço, mídia e estoque na reta final do ano.
Fontes
Neotrust (indicadores do 1º semestre de 2026); InfoMoney (Índice do Varejo Stone, regiões e setembro); Viva/Broadcast (segmentos do 3º trimestre)
- varejo
- crédito
- consumo




