Pedidos crescem mais que o tíquete no e-commerce brasileiro
· 3 min de leitura · Redação Confi

Se a sensação na sua loja é de que o movimento aumentou, mas o valor de cada carrinho não acompanhou, você não está sozinho. O comércio eletrônico brasileiro vive uma fase em que o consumidor volta mais vezes e leva menos itens de cada vez, e um levantamento da Nuvemshop, divulgado em 26 de outubro pela coluna Diário Econômico, do Diario de Pernambuco, reforça esse retrato.
O que mostram os números da Neotrust
Para medir o mercado como um todo, a referência são os dados da Neotrust, que acompanha as transações de mais de 7 mil lojas parceiras. De janeiro a setembro de 2026, segundo a Neotrust:
- Faturamento de R$ 322,6 bilhões, alta de 16,9% sobre o mesmo período de 2025
- 1,2 bilhão de pedidos, crescimento de 34,9%
- Tíquete médio de R$ 268,20, queda de 13,4% em relação aos R$ 309,70 do ano anterior
- No primeiro semestre, a média de itens por compra caiu de 2,25 para 1,97
Em outras palavras, o número de pedidos cresce num ritmo duas vezes maior que o do faturamento. Quem sustenta o crescimento é a frequência de compra, e não o tamanho da cesta.
O avanço no faturamento do e-commerce foi sustentado principalmente pelo aumento da frequência de compras.
O retrato das lojas da Nuvemshop
O Radar do E-commerce, da Nuvemshop, olha para um recorte diferente: cerca de 100 mil lojas virtuais que usam a plataforma. Os números de setembro, segundo a coluna:
- 2,9 milhões de pedidos no mês
- Faturamento de R$ 823,6 milhões
- Tíquete médio de R$ 284
- Na semana do consumidor, de 13 a 19 de setembro, cerca de R$ 203 milhões em vendas, alta de 51% sobre o mesmo período de 2025
O levantamento também aponta alta de 39% no volume de pedidos em setembro, embora o texto não informe a base de comparação. Ao longo do ano, os pedidos na plataforma crescem cerca de 30%, enquanto o tíquete médio sobe entre 2,5% e 9,2%.
Aqui vale um cuidado. Na base da Neotrust, que cobre um mercado mais amplo, o tíquete médio caiu; na base da Nuvemshop, ele subiu pouco. As amostras e os métodos são diferentes, então um número não anula o outro. O ponto em comum é que, nas duas, os pedidos crescem bem mais rápido que o valor de cada compra.
Na prática, isso muda a conta da operação. Mais pedidos de menor valor significam mais separação, mais embalagem, mais frete e mais contatos de atendimento para cada real faturado. Uma loja que ganha volume sem olhar o custo por pedido pode crescer em vendas e encolher em margem.
Fontes
- Diario de Pernambuco: Comércio eletrônico cresce em volume de pedidos mas mantém valor das compras, 26 de outubro de 2026
- E-Commerce Brasil (dados da Neotrust): E-commerce deve faturar 20,7% a mais na Black Friday 2026, projeta Neotrust, 13 de outubro de 2026
- Varejo S.A, da CNDL (relatório da Confi com dados da Neotrust): E-commerce tem alta de 16,9% no 1º semestre e fatura R$ 208 bilhões, aponta relatório da Confi em parceria com o E-Commerce Brasil, 28 de julho de 2026
- Neotrust
- tíquete médio
- frequência de compra
- Nuvemshop
- pequenas e médias lojas



