Blog Neotrust

Pedidos sobem 34,9% e o ticket cai 13,4% até setembro

Dados NeotrustDado Neotrust3 min de leitura

Dados da Confi com a Neotrust mostram que o e-commerce segue vendendo mais vezes e menos por compra. Veja o que o acumulado de nove meses indica para o Q4.

Mão segurando um celular com o carrinho de uma loja online contendo apenas dois itens

O que o acumulado de nove meses mostra

Entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2026, o e-commerce brasileiro faturou R$ 322,6 bilhões, segundo dados da Confi capturados pela solução Neotrust e divulgados em 13 de outubro. No mesmo recorte, o número de pedidos cresceu 34,9% e o ticket médio recuou 13,4%.

O desenho é o mesmo que o estudo Da Compra à Confiança já havia mostrado para o primeiro semestre: R$ 208,4 bilhões em receita, 756,7 milhões de pedidos (alta de 34,8%) e ticket médio de R$ 275,50, queda de 13,3%. Entre um recorte e outro, a diferença é de um décimo de ponto percentual nas duas pontas. Na prática, o terceiro trimestre seguiu a mesma toada dos seis primeiros meses, sem alívio e sem aceleração extra.

Cesta menor, não preço menor

Um ticket em queda pode ter duas origens: produtos mais baratos ou menos produtos por compra. O primeiro semestre ajuda a separar as duas. O preço médio por produto ficou em R$ 140,10, uma variação de cerca de 1% para baixo, enquanto os itens por pedido caíram 12,4%, para 1,97. A conta fecha pela cesta. O consumidor não está pagando menos pelo que compra. Ele leva menos coisas de cada vez e volta mais vezes.

Isso também responde à objeção mais comum, a de que seria apenas efeito de mix de categoria. Itens por pedido é uma métrica que não depende de preço, e ela caiu na mesma direção do ticket.

O que a base mede e o que ela não mede

Os números vêm de captura na transação, em um painel de mais de 7.000 lojas monitoradas. A base mostra o que foi comprado, por quanto e quando. Ela não mostra o motivo da mudança de comportamento, e por isso a leitura sobre causa continua sendo uma hipótese. A queda de ticket também é nominal, sem desconto de inflação, o que significa que em termos reais a retração é maior.

O que isso muda na prática

Três ajustes valem para quem está fechando o plano do último trimestre.

Primeiro, dimensione separação, embalagem, atendimento e frete pelo número de pedidos, e não pelo faturamento. No primeiro semestre os pedidos cresceram o dobro da receita, e custos por pedido não encolhem na mesma proporção do ticket.

Segundo, revise os gatilhos de frete grátis, kit e combo. Eles foram desenhados para um ticket que já não existe. Uma régua de frete grátis calibrada para o cliente de R$ 320 pode estar subsidiando o cliente de R$ 275.

Terceiro, compare o ticket da sua loja com o da sua categoria, e não com o seu próprio histórico. Se o seu ticket caiu 13%, você acompanhou o mercado. Se caiu 5% ou 25%, alguma coisa aconteceu na sua operação e vale investigar.

A leitura da Neotrust

Na Neotrust, a leitura é feita contra o mercado inteiro: o painel mostra se pedidos e ticket da sua categoria se movem como a média ou se afastam dela. Uma queda de 13% no ticket deixa de ser alerta quando é o comportamento do mercado, e passa a ser alerta quando a sua categoria foge desse padrão.

Por que isso importa

Planejar o Q4 com o ticket de 2025 subdimensiona a operação: o crescimento vem por frequência de compra, e o custo por pedido é onde o erro aparece.

Fontes

Confi/Neotrust, acumulado de 1º/01 a 30/09/2026, divulgado em 13/10/2026 (Meio & Mensagem). Neotrust, Da Compra à Confiança: Panorama do e-commerce brasileiro 1S2026, divulgado em 29/07/2026.

  • ticket médio
  • pedidos
  • itens por pedido
  • acumulado 2026
  • planejamento Q4

Notícias relacionadas

Entregador de moto entregando um pacote a um morador na porta de uma casa em rua residencial
E-commerceDado Aftersale3 min de leitura

Devolver pode custar de 20% a 65% do valor do item

Benchmarks da Aftersale indicam que processar uma devolução consome de 20% a 65% do valor do item. Com ticket menor, a conta pesa mais no Q4.